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Observatório da Periferia é instalado na ULBRA
Assinatura de termo de cooperação reuniu autoridades francesas e teve aula inaugural de curso de extensão
 O Observatório Franco-Brasileiro de Cidades da Periferia virou realidade. Na tarde da quinta-feira (15/5), a Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) e a Universidade Paris 8 (Saint Denis – França) assinaram termo de cooperação para trabalharem em conjunto a construção de saberes, formar inteligência social e aproximar a academia, gestores públicos e os territórios de periferias dos dois países. A deputada Stela Farias liderou a aproximação entre as duas universidades e conseguiu concretizar um sonho gestado ainda no Fórum Social Mundial de 2002. “A partir da criação do Observatório, passamos a dispor de uma ferramenta que irá produzir conhecimentos e um olhar das periferias sobre elas mesmas”, disse Stela.
Além da assinatura do protocolo de cooperação entre as duas universidades, a ULBRA estruturou o curso de extensão “O lugar no mundo e o mundo no lugar: desafios das cidades da periferia para o século XXI”. Cerca de 500 pessoas participaram da aula inaugural do curso de 40 horas no auditório do prédio 14 da ULBRA. Durante cerca de duas horas, autoridades políticas e intelectuais fizeram a explanação dos propósitos do curso e saudaram a criação do Observatório da Periferia. “É uma honra estarmos aqui hoje dando os primeiros passos de um caminho que é longo, mas que agora dispõe de uma instância de debate para dar voz e buscar soluções para os problemas enfrentados pelas periferias das grandes cidades”, acrescentou Stela.
O pró-reitor de Desenvolvimento Institucional e Comunitário da ULBRA, Jairo Jorge, consolidou a formatação institucional do Observatório. Serão cinco os temas de investigação do curso de extensão e que também irão nortear as ações do Observatório. A idéia é capacitar agentes que ajudem as periferias a desenvolver metodologias próprias para a busca de suas soluções. O curso concentra-se nos eixos identidade, territorialidade, segurança, cidadania e mobilidade. “Os municípios periféricos a Porto Alegre não podem resolver seus problemas isoladamente. Os gestores das cidades precisam olhar para a necessidade de encarar os problemas de forma conjunta”, disse.
O curso de extensão será um ponto de reflexão que converge saberes dos cursos de geografia, ciência política, história e educação física. Nesse caso, trata-se de ganhar concretude e aplicabilidade e de formar uma noção no sentido de o pensamento acadêmico ajudar a forjar e dar encaminhamento a políticas públicas. “O papel do Observatório é de catalisador para reunir pessoas que estão muito fragmentadas em virtude do momento que a nossa sociedade vive”, explicou.
Também estiveram presentes na assinatura do termo de cooperação, a prefeita de Esteio Sandra Silveira, que é da direção da Famurs e da Associação de Municípios da Região Metropolitana, o prefeito de Santa Vitória do Palmar, Claudio Breier Pereira, Valdir Bohn Gass, presidente da FEGAM, Florismar Thomaz (coordenador da Uniperiferia em Pelotas), representantes de associações de bairro e entidades comunitárias e os integrantes da missão francesa, professor-doutor, Alain Bertho; Gérard Perreau-Bezouille (Prefeito Adjunto e Secretário de Finanças, Novas Tecnologias e Relações Internacionais da Prefeitura de Nanterre); António Aniesa (Secretário Adjunto de Relações Internacionais da Prefeitura de Nanterre).
Patrick Braouezec
O deputado francês Patrick Braouezec, que também preside a Comunidade de Aglomeração da "Plaine Commune" e é vice-presidente da Comissão de Inclusão Social e Democracia Participativa das "Cidades e Governos Locais Unidos" (CGLU) exaltou a importância da criação do Observatório. “Essa parceria é muito significativa, pois estabelece relação entre três formas de pensamento: institucional, cultural/intelectual e do cidadão comum. É fundamental discutirmos o futuro do planeta e o Observatório é exatamente o espaço para isso”, saudou Patrick.
Alain Bertho
“Vivemos na Europa um processo de autoritarismo que começa a ter forte contestação pública. Na França, é visível o crescimento da hegemonia do capitalismo transnacional e suas conseqüências como o aumento da desigualdade social. No Brasil, a criação do Observatório nos mostra que vocês experimentam o processo oposto. Vivem um clima de liberdade e de busca por garantia de direitos que não vivemos mais na Europa.”
Gérard Perreau-Bezouille
“Nanterre é uma cidade que fica na periferia de Paris. Foi lá que em 1968 se iniciou o levante estudantil que gerou toda a reação que ficou conhecida mundialmente como Maior de 1968. A cidade foi invadida por empresas transnacionais e é eminentemente uma cidade industrial. Conseguimos visualizar em Nanterre todas as conseqüências deste capitalismo que apenas chega nos locias em que se instala para explorar a força de trabalho humana.”
Florismar Thomas
“Penso que a criação do Observatório Franco-Brasileiro da Periferia aproxima duas instâncias de saberes que hoje pouco dialogam. Falo dos saberes populares produzidos nas periferias pelas pessoas sem condições decentes de vida e dos saberes produzidos na academia. Os gestores públicos, os movimentos sociais, os professores, as universidades, enfim, os agentes que fazem parte do observatório, temos o compromisso de fazer esta ponte entre esses saberes.”
Sandra Silveira
“Como gestora pública e presidenta de uma associação que inclui municípios da Região Metropolitana, vejo a iniciativa de criar o Observatório da Periferia como um esforço para pensar as cidades não de forma isolada. Não há problemas somente de uma cidade em particular no que diz respeito à relação com a metrópole Porto Alegre. Há problemas conjuntos que devem ser superados com projetos em que os gestores trabalhem juntos para melhorar as cidades.”
Valdir Bohn Gass
“As associações comunitárias desempenham papel importante junto às periferias. As dificuldades enfrentadas pelas populações mais pobres aparecem como violência. Mas a violência é praticada contra essas comunidades por um modelo econômico que está falido. O capitalismo já está mais do que provado só gera desigualdades e riquezas para poucos. Temos que enfrentar não apenas as dificuldades decorrentes deste modelo, mas lutar por um novo modelo, mais justo e digno.”
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